QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: ALBERT NOBBS

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL AGORA ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO DE LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Chega nos próximos dias às lojas da 2001 o filme que rendeu a Glenn Close sua sexta indicação ao Oscar

ALBERT NOBBS

Que opção tem uma mulher pobre, sem recursos, família, herança, senão ser homem na Irlanda machista e católica do fim do século 19? Ficamos sem saber o nome dessa órfã, que vê na oferta de emprego como garçom em um hotel a oportunidade de sobreviver dignamente na cidade de Dublin. Assim surge Albert Nobbs, que assume o papel do sério, dedicado e austero funcionário de um badalado hotel, na pele da simplesmente fantástica Gleen Close. Não se trata de se vestir de homem, mas sim de incorporar a postura, gestos, expressões masculinas, ainda que tenha um toque assexuado. Quase não se percebe a linha que separa os dois mundos, mas a impressão que dá é de um homem ao mesmo tempo determinado e frágil, introspectivo e carente. Impecável maquiagem, impecável interpretação.

Glenn Close e sua incrível transformação em Albert Nobbs. O trabalho dos maquiadores também foi reconhecido com uma indicação ao Oscar.

Albert Nobbs, no auge da sua elegância, conhece Hubert Page (Janet McTeer) e seus segredos se mesclam numa história só. Hubert também é uma mulher que se passa por homem, por motivos distintos porém semelhantes do que diz respeito à aceitação, oportunidade, trabalho. Concorrendo ao Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante respectivamente, Gleen Close e Janet McTeer dão um show, deixando Helen, vivida por Mia Wasikowska (também em Jane Eyre, Alice no País das Maravilhas, Minhas Mães e Meu Pai, Inquietos) bem para trás. Mas é por ela que Albert Nobbs se apaixona à sua maneira e é com ela que planeja mudar de vida, abrir seu próprio negócio e ter autonomia.

Indicadas ao Oscar, Janet McTeer e Glenn Close roubam a cena em Albert Nobbs

Não é filme para o grande público. Ainda mais em época em que grandes lançamentos ocupam muitas salas de cinema. Mais lento e o que eu chamaria de “filme de observação” (não perca um só gesto do gentil e minucioso Nobbs), Albert Nobbs tem uma beleza estética marcante, mas também humana. Mesmo na Dublin desumana, assolada pela tifo dos piolhos e pelo desemprego daquele fim de século.

 

Cliente da 2001 desde 2007, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

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COMEÇA A 65ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES 2012

Cartaz da 65ª edição do Festival de Cannes que começa amanhã

De 16 a 27 de maio, acontece o maior festival de cinema do mundo, trazendo ao público o que o cinema tem de melhor - e mais variado - há sessenta e cinco anos. É possível encontrar em sua seleção filmes de diversos lugares do mundo, uma clara opção pela universalidade do cinema ao invés de prestigiar tão somente a indústria, já largamente reconhecida.

Aproveitando a 65ª edição de Cannes, relembramos o ano de 2010, que teve uma seleção de grandes filmes, muitos já lançados em DVD no Brasil. Desde a obra de abertura, Robin Hood, do aclamado diretor Ridley Scott (O Gladiador,  O Gangster), ao filme de encerramento, A Árvore, da francesa Julie Bertuccelli (diretora em Desde Que Otar Partiu e assistente de direção de Kieslowski em A Igualdade É Azul), vemos o diferente se encontrar. Filmes como Homens e Deuses (ganhador do grande prêmio do júri), crônica dos monges franceses desaparecidos em meio aos conflitos políticos na África da década de 1990, dirigido por Xavier Beauvois; ao surpreendente Fora da Lei, retrato de uma família argelina descomposta pelo sistema colonialista francês, foram exibidos lado a lado, com respeito mútuo.

Já disponível para locação em DVD na 2001, Homens e Deuses conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2010

O ganhador da Palma de Ouro, o curioso filme tailandês de Apichatpong Weerasethakul Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, mostra claramente a escolha diversificada da seleção do festival.

Concorreram ainda a Palma de Ouro outros memoráveis filmes, como a pérola dirigida por Abbas Kiarostami Cópia Fiel, com seu enredo elíptico, desvendando aos poucos o conturbado, e por vezes surreal universo do casal eternamente desconhecido William Shimell e Juliette Binoche. A atuação da francesa lhe rendeu o seu primeiro prêmio de Melhor Atriz em Cannes. O filme causou certa divisão de opiniões quando foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2010. Kiarostami é um conceito para o cinema moderno, mas ainda assim conseguiu surpreender com um filme recheado de ironia, diálogos ácidos e intensos sobre as relações humanas, familiares e éticas.

 

Juliette Binoche, em cena de Cópia Fiel, pelo qual recebeu o prêmio de melhor atriz no festival. O filme foi um dos mais alugados da 2001 no ano passado, e suscitou concorrido debate com a presença de Luiz Carlos Merten no Espaço Cultural 2001 Sumaré em 24/8/11

Existiam ainda alguns críticos que apostavam fortemente no sul-coreano Poesia, de Lee Chang-dong. A inocência da personagem, que insistia em manter a bondade em um mundo hostil, o tôm humanista e autoral do filme criaram uma áurea de otimismo em relação às premiações em Cannes. Ficou pelo caminho, mas continua a arrancar críticas apaixonadas do público interessado. Disponível em DVD, tornou-se outra referência no cinema asiático para quem deseja interar-se do que se passa do outro lado do mundo, ao lado de A Partida, Oldboy, Primavera Verão Outono Inverno… Primavera e a lenda eterna Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, entre outros filmes conceituais àquela região.

Javier Bardem levou o prêmio de melhor ator por Biutiful e, no ano seguinte, concorreu ao Oscar, assim como filme

Levou o prêmio de Melhor Ator o espanhol Javier Bardem por seu trabalho dramático em Biutiful filme com aspecto realista e contexto social da Espanha moderna, onde um pai tenta de inúmeras formas – nada éticas, porém – obter meios de sustentar sua diminuta família. Cercado sempre por criminosos e imigrantes ilegais em busca de trabalho à qualquer preço. Sem concessões ao espectador, o diretor mexicano Alejandro González Iñárrito (Babel, 21 Gramas e Amores Brutos) não propõe mais uma fábula de superação, procura aida  expor a realidade nua de um estado social em colapso.

Além das competições, o festival seleciona uma gama de filmes para exibição. Sem pretenções de concorrência, pode-se dizer que é a pérola de Cannes, a Seleção Oficial. Filmes dos mais diversos, dos lugares mais remotos, que a comissão de seleção garimpa ao longo do ano para presentear o público com a delícia da diversidade cinematográfica. No ano de 2010, alguns merecem destaque, como o divertido Você Vai Conhacer o Homem dos Seus Sonhos, o polêmico Carlos, minissérie dirigida por Olivier Assayas que causou revolta aos conservadores e puristas do cinema, pois a produção tem o formato televisivo, com a imagem ‘menor’ do que a que vemos no cinema. Além da questão técnica, o filme polemizou também pela glamourização do ‘revolucionário’ marxista venezualano, que levou a ideologia às últimas consequências, tornando-se um dos mais lendários terroristas da história.

Minissérie em 3 episódios, exibida na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2010, Carlos conquistou o Globo de Ouro e continua inédita em DVD no mercado brasileiro

Jean-Luc Godard não poderia ficar de fora, com o seu último filme, colagem de sons, imagens, literatura e música, Film Socialisme esteve presente à mostra Um Certo Olhar, que trouxe ainda em sua abertura o último trabalho do centenário cineasta português Manoel de Olveira O Estranho Caso de Angélica.

Dentro ou fora das competições, o festival mostrou todo seu poder de unir diferentes filmes, de lugares opostos, de opiniões ainda mais diversas, tudo às voltas da ideia de trazer isso ao público. Tornar universais todos os pontos de vista, todo o amor pelo cinema. E isso, Cannes sabe demais fazer.

Filmes exibidos ao 63º Festival de Cannes disponíveis em DVD no acervo das lojas da 2001 Vídeo:
Turnê – Mathieu Amalric
Homens e Deuses – Xavier Beauvois
Fora da Lei – Rachid Bouchareb
Biutiful – Alejandro González Iñárritu
Cópia Fiel – Abbas Kiarostami
Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos – Woody Allen
A Árvore – Julie Bertuccelli
Poesia – Lee Chang-dong
Robin Hood – Ridley Scott
5xFavela, Agora Por Nós Mesmos

Em tempo: Tim Burton Presidiu o juri em Cannes 2010.

Comentário de
Jeferson Ramos
Colaborador da 2001 Paulista
Av. Paulista, 726, Bela Vista – São Paulo – SP

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OPINIÃO: CINEMA VERITE

Produção original da HBO, Cinema Verite é um contundente retrato das mudanças comportamentais em voga nos anos 1970

Ao transitar entre a ficção e cenas reais, Cinema Verite, dos diretores Shari Springer Berman e Robert Pulcini (O Anti-Herói Americano), retrata os bastidores do primeiro reality show televisivo nos EUA, produzido pela rede PBS nos anos 1970.

O cotidiano de uma família de classe média norte-americana, que revela todos os seus conflitos e dramas na frente das câmeras, torna-se ainda mais interessante ao discutir ética profissional, exploração de imagem, divórcio e homossexualidade.

James Gandolfini interpreta o produtor do programa, e Diane Lane e Tim Robbins, o casal que decide abrir a intimidade da família em rede nacional

A desmistificação da família que vive o ideal do american way of life (o sonho americano), assim como a exploração comercial em cima das nuances de seus dramas pessoais, faz do filme não apenas uma ferramenta de entretenimento, mas também uma reflexão sobre a sociedade na qual vivemos.

 

Comentário de
Patrícia Simões
Colaboradora da 2001 Vídeo Jardins
Rua Estados Unidos, 1324, Jd. América – São Paulo – SP

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DICAS PARA O DIA DAS MÃES

Potiche – Esposa Troféu
(Potiche, FRA, 2010, Cor, 102′)
Direção: François Ozon
Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Jérémie Renier

François Ozon (O Amor em 5 Tempos, O Refúgio) transpõe mais uma peça teatral para o cinema após seu 8 Mulheres: Potiche, farsa sobre as mudanças comportamentais dos últimos 30 anos, encenada pela primeira vez em Paris no anos 1980. Ambientado em 1977, Potiche – Esposa Troféu atualiza a peça, transformando sua protagonista em um símbolo feminista relevante ainda hoje. Visualmente estilizado, com atuações teatrais e ritmo moderno, o filme critica de forma bem humorada o machismo não só no âmbito profissional, mas também no pessoal, e oferece a Catherine Deneuve seu melhor papel em anos. Mais uma vez atuando ao lado de Gérard Depardieu, a eterna “Bela da Tarde” dança e ainda relembra os tempos de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e Duas Garotas Românticas (1967), cantando no final.

Virando a mesa: Catherine Deneuve, em um dos melhores papéis de sua carreira recente, interpreta Suzanne, que deixa a vida doméstica de lado e começa a enfrentar o marido machista

Caramelo
(Sukkar Banat, FRA/LIB, 2007, Cor, 95′)
Direção: Nadine Labaki
Elenco: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Adel Karam

Sem grandes conflitos ou reviravoltas dramáticas, a pequena produção libanesa – dirigida, escrita e protagonizada por Nadine Labaki – conquistou o público em diversos países. Através do cotidiano de cinco amigas em Beirute, o filme é um singelo retrato da condição feminina no Oriente Médio, onde impera o patriarcado social e a violência, apenas sugeridos pelo roteiro. Em frações da “vida real” de suas personagens, Labaki aborda situações e dilemas comuns às mulheres em geral, envolvendo amor, sexo, casamento, família, amizade e, principalmente, escolhas. Confrontadas pela dura realidade e tradições sociais de uma nação puritana e aspirante à modernidade, as heroínas de Caramelo buscam sua própria identidade perante o eterno questionamento “tornamo-nos o que somos, ou o que parecemos?”. Evitando ousadias ou reflexões políticas, a doce mistura de limão, açúcar e água do título mostra que, apesar de todas as dificuldades e regras sociais, nenhuma das mulheres de Caramelo esmorece, todas seguem em frente com suas vidas.

Sob a Mesma Lua
(La Misma Luna, MEX/EUA, 2007, Cor, 110′)
Direção: Patricia Riggen
Elenco: Adrian Alonso, Kate del Castillo, America Ferrera

Coprodução entre Estados Unidos e México, o filme trata de assunto caro aos dois países:a imigração ilegal. Anos após sua mãe deixá-lo para trabalhar nos EUA, o jovem Carlitos inicia longa jornada até Los Angeles, repetindo a mesma entrada ilegal da mãe no páis. A trama, aparentemente simples, é repleta de emoção (sem cair na pieguice) e momentos singelos.

 

 

A Viagem do Balão Vermelho
(Le Voyage du Ballon Rouge, FRA, 2007, Cor, 113′)
Direção: Hou Hsiao-Hsien
Elenco: Juliette Binoche, Simon Iteanu

Inspirado pelo universo lúdico do antológico média-metragem francês O Balão Vermelho (1956), de Albert Lamorisse, o delicado filme de Hou Hsiao-Hsien amplia o papel da mãe – interpretada com o carisma habitual por Juliette Binoche. Com improvisação livre do elenco e narrativa naturalista, essa homenagem ao balão vermelho original é também uma reflexão minimalista sobre a poesia possível a partir do cotidiano.

Cena do lúdico A Viagem do Balão Vermelho: bela homenagem a um média-metragem francês de 1956

Stella
(Idem, FRA, 2008, Cor, 102’)
Direção: Sylvie Verheyde
Elenco: Léora Barbara, Mélissa Rodriguez, Laetitia Guerard

Simpática crônica da transição da jovem Stella para a adolescência, com os dilemas comuns da idade: as dificuldades de adequação na nova escola, o primeiro amor, os ídolos (como Serge Gainsbourg e Alain Delon, cujas fotos estampam o quarto da menina) e a busca por aceitação. Péssima aluna e indiferente às normas, ela não consegue se desvencilhar do estilo de vida dos pais, que mantêm um bar-hotel frequentado por desocupados e desajustados. O local, considerado inadequado para criar uma criança, torna-se a chave para Stella formar seu senso crítico e olhar sem preconceitos.

 

A Culpa É do Fidel!
(La Faute à Fidel!, FRA, 2007, Cor, 95′)
Direção: Julie Gavras
Elenco: Nina Kervel-Bey, Julie Depardieu, Stefano Accorsi

Filha do consagrado Constantin Costa-Gavras, Julie continua próxima aos temas e preocupações políticas do pai em seu segundo filme como cineasta, porém, num registro mais leve e simpático. Baseado no romance homônimo de Domitilla Calamai, o filme mostra as transformações ideológicas dos pais da pequena Anna (a revelação Nina Kervel-Bey), que tem dificuldade para entender as motivações que levaram o casal burguês a ingressar na militância comunista. A partir de perguntas aparentemente simples, a adorável (e invocada) menina nos faz pensar sobre as contradições por trás das ideologias políticas e nos deixa a pergunta (ou conclusão): “Então, ninguém tem certeza das coisas?”.

Uma Mãe em Apuros
(Motherhood, EUA, 2009, Cor, 85′)
Direção: Katherine Dieckmann
Elenco: Uma Thurman, Anthony Edwards, Minnie Driver

Bem, pode não parecer um grande filme, mas nesse fim de semana de Dia das Mães essa comédia familiar estrelada por Uma Thurman resume bem os dilemas comuns à toda mãe que precisa se dividir em mil tarefas no dia-a-dia: os sacrifícios, a busca por autoexpressão e por um trabalho que traga sentido para a própria vida. Com divertida ponta de Jodie Foster, o filme satiriza ainda a vida urbana em Nova York, com seus moradores cada vez mais neuróticos e mal educados, e questiona o que significa ser mãe nos dias de hoje.

Ramona e Beezus
(Ramona and Beezus, EUA, 2010, Cor, 103′)
Direção: Elizabeth Allen
Elenco: Joey King, Selena Gomez, Bridget Moynaham, John Corbett

Baseado na popular (nos EUA) série de livros infanto-juvenis de Beverly Cleary, o filme resgata a sensibilidade e humor inofensivo das antigas “sessão da tarde” estreladas por personagens-mirins, como Matilda (1996) e Operação Cupido (1998), que revelou Lindsay Lohan. Centrado em uma hiperativa e espirituosa menina de nove anos, desde pequena já inconformista, Ramona e Beezus trata com leveza do ciúme entre irmãs, dos problemas em família e, sobretudo, de como superá-los por meio de amor e compreensão.

Belíssima
(Bellissima, ITA, 1951, P&B, 108′)
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Anna Magnani, Walter Chiari, Tina Apicella

Mamma Roma
(Idem, ITA, 1962, P&B, 106′)
Direção: Pier Paolo Pasolini
Elenco: Anna Magnani, Ettore Garofalo, Franco Citti

Nunca houve uma atriz como Anna Magnani. Diva do neorealismo, a maior figura materna do cinema italiano interpreta em Belíssima (de Luchino Visconti) Maddalena Cecconi, uma mãe extremamente preocupada com o futuro da pequena Maria. Seu objetivo é transformar Maria em uma celebridade, custe o que custar. Já em Mamma Roma, segundo filme de Pier Paolo Pasolini (Teorema), Magnani contracena com atores amadores, encarnando a personagem-título, uma prostituta de meia-idade que sonha um futuro digno para o seu filho de 16 anos. Mas que parece ser tarde demais, devido às más companhias do menino.

Belíssima e Mamma Roma. Dois clássicos do cinema italiano e duas tocantes interpretações de Magnani, uma das maiores atrizes da Europa. Nos dois filmes, ela consegue fazer o público compreender o laço tênue, frágil e inquebrável existente entre uma mãe e a sua criação.

Sugestões de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Salve Geral
(Idem, BRA, 2009, Cor, 120′)
Direção: Sergio Rezende
Elenco: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor

Inspirado em fatos reais ocorridos no final de semana do dia das mães, em maio de 2006, em São Paulo, o filme acompanha a trajetória de Lucia (Andréa Beltrão, em ótimo desempenho) e seu filho de 18 anos, que acaba preso após um assassinato acidental. Em suas visitas à penitenciária, ela acaba envolvendo-se com uma facção criminosa; envolvimento voluntário, já que Lucia acha que de alguma forma está protegendo o filho. E que talvez o grupo possa ajudá-la a soltar o rapaz.

Sugestão de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Sonata de Outono
(Höstsonaten, SUE/NOR/ALE, 1978, Cor, 92′)
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Lena Nyman

Nas mãos de um bom diretor, o mais simples e intimista dos roteiros provavelmente se tornará um bom filme. Nas mãos do mestre Ingmar Bergman, a história de uma mãe que vai passar o final de semana na casa da filha se torna uma obra de valor inestimável. Ganhador do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e indicado ao Oscar de atriz (Ingrid Bergman) e roteiro, Sonata de Outono é um profundo (e por vezes cruel) mergulho – ao som de Chopin, Bach, Schumann e Haendel – nas inseguranças, mágoas e rivalidades de um difícil relacionamento familiar.

Sugestão de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

London River – Destinos Cruzados
(London River, ING/FRA/ARG, 2009, Cor, 84′)
Direção: Rachid Bouchareb
Elenco: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté, Francis Magee

Com uma comovente história, baseada nos atentados que ocorreram em Londres em 2005, o filme narra o drama de uma mãe (vivida por Brenda Blethyn, de Segredos e Mentiras) que vive no interior da Inglaterra, cujo destino se cruza com o de Ousmane (Sotigui Kouyate), um sul-africano que vive em Paris. O que eles têm em comum? Filhos que vivem em Londres. Logo após os atentados, a personagem de Blethyn busca por sua filha, e encontra Ousmane, que não vê seu filho desde os seis anos de idade. Juntos, os dois unem forças em busca do paradeiro de seus rebentos.

Com sensibilidade, London River também critica o aumento do racismo e da xenofobia na Inglaterra após os atos terroristas no país em 2005.

Sugestão de
Bruno Lanzellotti
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Simplesmente Complicado
(It’s Complicated, EUA, 2009, Cor, 121′)
Direção: Nancy Meyers
Elenco: Meryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin

Dez anos após o fim de seu casamento, Jane (Meryl Streep) começa a achar um novo rumo na vida. Após criar e ver seus filhos saírem de casa, ela resolve que chegou a hora de ter um tempo só para ela. Tudo estava indo muito bem em sua vida… a felicidade no trabalho, a tão sonhada reforma em sua casa para ter a cozinha de seus sonhos e é claro, o aparecimento do simpático e romântico Adam (Steve Martin). Mas a vida sempre nos prega peças, não é mesmo? Eis que seu ex-marido Jake (Alec Baldwin) resolve reconquistá-la, e a partir daí sua vida vira uma completa loucura! Com uma trama simples e bem divertida, o filme se destaca pelo elenco carismático em ótima forma!

Sugestão de
Bruno Lanzellotti
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

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OPINIÃO: AS VIRGENS SUICIDAS

Fora de catálogo há anos, As Virgens Suicidas volta a ser comercializado em DVD no mercado brasileiro - e com exclusividade pela 2001 Vídeo

AS VIRGENS SUICIDAS

Ser a rainha do baile, beber, namorar até tarde, ir ao cinema com o namorado… as irmãs Lisbon podem apenas sonhar com situações que para outras adolescentes são absolutamente normais. Delicadas e donas de uma beleza arrasadora, as garotas recebem uma educação extremamente rígida, quase sufocante. Só lhes resta se adaptar a restrições absurdas.

As Virgens Suicidas: poético olhar de Sofia Coppola para um grupo de jovens reprimidas sexualmente

Kirsten Dunst (Melancolia) é Lux, garota que chama a atenção no colégio e que deseja a liberdade adolescente. Devido a falta de diálogo familiar e convivência com outras pessoas de sua idade, não sabe lidar com essa fase da vida, ao mesmo tempo em que tem consciência de seu apelo sedutor sobre o sexo oposto.

Bastante requisitado por cinéfilos e fãs de cinema, As Virgens Suicidas é vendido exclusivamente no site e nas lojas da 2001, ou seja, você não encontra em nenhum outro lugar para comprar

Estreia na direção de Sofia Coppola, As Virgens Suicidas é uma adaptação do romance de Jeffrey Eugenides, que narra, com sensibilidade, a rotina de garotas que não sofriam bullying na escola, mas uma grande pressão psicológica em casa. Interpretados por James Woods e Kathleen Turner, os pais das meninas amam tanto suas filhas que querem conservá-las, como se fossem objetos, e controlar tudo e a todos em volta delas.

 

Assim como o grupo de garotos da vizinhança, o espectador testemunha o sofrimento das personagens-título, e fica na expectativa para saber qual será o próximo passo dos pais em sua ânsia de preservar a ingenuidade das filhas. Mas, toda família precisa admitir que uma hora as coisas precisam mudar – para melhor ou para pior. Não será fácil para ninguém, mas as garotas da família Lisbon não querem mais o regime autoritário que lhes é imposto.

Comentário de
Graciela Paciência
Colaboradora da 2001 Sumaré
Av. Sumaré, 1744, Perdizes – São Paulo – SP

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QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: O GAROTO DA BICICLETA

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL AGORA ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO DE LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Considerado o filme mais otimista e acessível dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, O Garoto da Bicicleta chega em DVD para locação nas lojas da 2001 a partir do dia 10/5

O GAROTO DA BICICLETA

Este filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, também diretores de A Criança e O Silêncio de Lorna, foi escolhido para a abertura da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado. Escolha certeira. É profundo, sensível e realmente toca no que há de mais incondicional na mulher: a maternidade. Quem conhece essas duas obras anteriores, sabe que o estilo dos irmãos diretores não é dos mais afáveis. Levanta, de uma forma muito íntima, realista e seca, as dificuldades próprias do ser humano no que tange o respeito e de relação consigo próprio e com o outro.

Jean-Pierre e Luc Dardenne

Em O Garoto da Bicicleta não é diferente. Temas como ‘família desagregada’, ‘inversão de valores’ e ‘desconstrução do amor’ são recorrentes. Portanto, prepare-se. Mas, se servir de alento, digo também que este filme tem de belo o que os outros têm de amargo. Saí da coletiva de imprensa da Mostra, quando o filme foi exibido, aliviada. É como se a vida tivesse falado mais alto desta vez, como se os Dardenne tivessem tido a chance de escolher um caminho da esperança. E o fizeram. Optaram pela réstia de luz e resgate ético que poderia caber no roteiro, indicando que nem tudo são trevas. Apesar de todos (e não são poucos) os pesares. E apesar de não adotarem um estilo de direção que ‘facilite a vida do espectador’.

Cyril (Thomas Doret) e Samantha (Cécile de France) em cena do filme mais "ensolarado" dos irmãos Dardenne, e também o primeiro com trilha sonora e uma atriz famosa

A espinha dorsal do belo O Garoto da Bicicleta, que venceu o Grande Prêmio do Júri em Cannes no ano passado, é a família que não se une diante das diferenças e dificuldades, que opta pelo caminho mais fácil, o do abandono. Cyril (Thomas Doret) foi deixado pelo pai (Jérémie Renier, também em Potiche – Esposa Troféu, O Silêncio de Lorna, A Criança) e vive em um internato. Tenta, de qualquer maneira, saber do seu paradeiro. Samantha (Cécile de France, também em Além da Vida, Bonecas Russas, Albergue Espanhol, Um Lugar na Plateia) é sua tutora nos fins de semana e estabelece com o garoto uma relação de afeto, embora sinta, logicamente, a resistência do menino. Apesar disso, as frustrações, angústias e dessabores falam mais alto e Cyril acaba cedendo a pressões de maus elementos na pequena cidade onde passa os fins de semana com Samantha.

Cyril e Samantha: a difícil construção do afeto

O que vem a seguir são situações em que sempre há dois caminhos a serem escolhidos. Pai, tutora e garoto adotam uma postura que transforma não só as relações no filme, mas a relação do espectador com a história. Embora não seja uma linguagem pronta e mastigada, que deixe o espectador totalmente à vontade, mas sim um discurso que estimula a reflexão e o desconforto, os Dardenne desta vez escolheram elementos que suavizaram as tão difíceis relações. A bicicleta, os passeios, a luz do dia, a pequena cidade, a escolha de Cécile de France como a atriz protagonista – que tem um brilho especial, sim – trazem a esperança de que algo pode dar certo no final.

 

Cliente da 2001 desde 2007, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

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OPINIÃO: OS DEUSES MALDITOS

Há anos aguardado por cinéfilos, o clássico de Luchino Visconti sai finalmente em DVD no Brasil pela Versátil

Existem duas personas associadas à Luchino Visconti. Uma é a do Conde Don Luchino Visconti de Madrone, o Aristocrata, e a outra é ser o membro mais velho da grande tríade cinematográfica italiana, formada por ele, Fellini e Antonioni. Os Deuses Malditos nasceu da vontade do diretor de mostrar às gerações futuras a ascensão do nazismo na Alemanha entre 1933 e 1934. Gerações essas que não sabem exatamente o que aconteceu, como a famosa “Noite dos Longos Punhais”, trágico fato histórico em que o Partido Nazista decidiu executar dezenas de seus membros políticos, a maioria deles da SA.

Helmut Berger em cena: o nazismo que a todos corrompe

Visconti  apresenta a família Von Essenbeck, cujo poder e ganância os leva a cometer todo tipo de atrocidade, sem punição. Não é à toa que em dois momentos do filme personagens distintos nos lembram disso. No inicio Aschenbach (Helmut Griem, de Cabaret) diz através do espelho: ”Vivemos em uma sociedade onde tudo é permitido”. A ironia acontece mais tarde, quando ele se volta para Sofia (Ingrid Thulin) e diz “Isso é impossível!”, no que ela responde: “Nada é impossível neste país”.  Toda essa corrupção é embalada da forma mais luxuosa possível, com locações, cenários e figurinos (criados pelo amigo Piero Tosi) impecáveis.

Helmut Berger, Dirk Bogarde e Ingrid Thulin em Os Deuses Malditos: família reunida

Diretor de clássicos do cinema como Rocco e Seus Irmãos (1960), O Leopardo (1963) e Morte em Veneza (1971), Visconti recebeu a única indicação ao Oscar de sua ilustre carreira, pelo roteiro original de Os Deuses Malditos, escrito em conjunto com Nicola Badalucco e Enrico Medioli.

 

Comentário de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

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DEBATE-PAPO E ENTREVISTA: MEU PAÍS

MEU PAÍS FOI O GRANDE VENCEDOR DO VIII PRÊMIO FIESP/SESI-SP DO CINEMA PAULISTA, ENTREGUE NO ÚLTIMO DIA 2/5.

Estrelado por Rodrigo Santoro e Cauã Reymond, o filme tem direção de André Ristum e já encontra-se disponível para locação em DVD e Blu-ray nas lojas da 2001. Amanhã, terça-feira (8/5), o cineasta irá participar, ao lado do crítico Luiz Carlos Merten, de um “debate-papo” sobre o filme no ESPAÇO CULTURAL 2001 VÍDEO SUMARÉ.

Não perca, ainda dá tempo e as inscrições são gratuitas.

 

VOLTA AO LAR
Nascido em Londres, mas filho de brasileiros, o cineasta André Ristum fala sobre sua trajetória e sua estreia na direção de longa-metragem

O talentoso André Ristum, diretor do premiado Meu País

O cinema surgiu muito cedo em sua vida, não? Seu pai [o sociólogo paulista Jirges Ristum] trabalhou, por exemplo, como assistente de direção de Bernardo Bertolucci em La Luna (1979).
Sim. Desde muito cedo o cinema começou a fazer parte da minha vida. Pequeno, já assistia a desenhos clássicos ou a filmes do Chaplin em nosso projetor Super 8. Além disso, visitava sempre meu pai e meu padrasto nos sets em que trabalhavam. Um dia, após mais uma visita ao set no qual o Ivan Isola, meu padrasto, estava trabalhando, comecei a falar que queria fazer um filme. Tinha 3 anos e meio. Depois de muita insistência, o Ivan me disse que só se poderia fazer um filme com um roteiro. Ditei a ele as imagens que queria filmar. Minha mãe, Tezzy Jemma, financiou a produção, e assim rodei Sombumbo, meu primeiro filme. Um curta em Super 8, de 20 minutos. Chegou até a ser exibido num festival em Roma. Além da prestigiosa plateia de amigos do meu pai e do Ivan, como Bernardo Bertolucci, Michelangelo Antonioni e Glauber Rocha, também posso dizer que exibi meu primeiro filme no mesmo festival em que Nanni Moretti lançava seus primeiros curtas e médias-metragens.

E, seguindo os passos do pai, você chegou a ser assistente de Bertolucci em Beleza Roubada, nos anos 1990.
Após a primeira experiência do Sombumbo, continuei minha vida como uma criança normal. Só retomei contato com o cinema no começo da década de 1990, quando estudava administração de empresas em Milão. Fui trabalhar com alguns produtores amigos do Ivan e, a partir daí, não consegui largar mais o cinema. Em 1995, tive a oportunidade de trabalhar com o Bertolucci. Foi uma experiência incrível. Fiquei no set ao lado dele o tempo todo e cada dia era uma aula de cinema diferente. Até hoje lembro e vejo reflexos de coisas que vi naquela época no meu modo de trabalhar.

 

Você nasceu em Londres, cresceu na Itália, estudou cinema em Nova York e retornou ao Brasil. Essa sensação de eterno deslocamento, de ser um cidadão do mundo, de certa forma o instigou a realizar Meu País?
Sem dúvida, a semente do Meu País vem da minha vida distante do Brasil, que sempre foi o país da minha família – e o meu. Assim, naturalmente, quando pensei num filme pela primeira vez, espontaneamente pensei na história de uma pessoa que está longe e volta depois de muito tempo. Aquela primeira história evoluiu e mudou muito desde então, mas a origem é essa mesmo.

Foi difícil realizar esse primeiro longa-metragem? Acredita que é mais fácil fazer cinema na Europa ou no Brasil?
Acho que cheguei ao longa-metragem com uma preparação boa, depois de ter feito tantos curtas e documentários, além de ter trabalhado em diversos longas-metragens em funções diferentes. Estava pronto para dar esse passo. Hoje, sem dúvida é mais fácil fazer cinema no Brasil, embora não seja nem um pouco simples. A Europa, e no caso falo mais da Itália, vive um momento complicado no financiamento do cinema local. Acredito que aqui tenho, sem dúvida, melhores oportunidades.

Como foi o processo de escalação do elenco e a presença de italianos na equipe, em especial a atriz Anita Caprioli?
Todos os atores do filme foram minhas primeiras escolhas. Tive muita sorte. Todos se envolveram com o roteiro e apostaram em mim, um diretor estreante em longa que tinha apenas alguns curtas para mostrar. No caso da Anita, após uma criteriosa seleção de possíveis candidatas ao papel, fui à Italia com o produtor Fabiano Gullane e encontramos seis atrizes para as quais tínhamos enviado o roteiro. Todas gostaram e quiseram fazer o filme. Como a Anita era nossa preferida, acabamos fechando com ela.

André Ristum dirige Rodrigo Santoro em Meu País

Rodrigo Santoro aprendeu a falar italiano especialmente para o filme?
O Rodrigo tem ascendência italiana, ouviu o avô falando a infância inteira. Acredito que o italiano já estava dentro dele, apesar de não falar o idioma. Durante a preparação, ele estudou as falas do roteiro com dois professores de italiano e chegou quase pronto. No set, repetimos as falas até alcançar a perfeição. Ele ficou sem sotaque, o italiano dele é muito limpo.

Além do retorno às raízes, o roteiro trabalha a construção da afetividade entre irmãos. Como foram os ensaios e a imersão dos atores na história?
Foi um processo muito bonito. Junto com a preparadora de atores Lais Corrêa, fizemos uma bela preparação, trazendo aos poucos todos os elementos para compor esses personagens e criar os relacionamentos necessários para o filme. A Débora Falabella ficou mais próxima do Rodrigo e mais distante do Cauã, até para criarmos o afeto e o estranhamento que eram fundamentais para o relacionamento entre os três irmãos.

Santoro e Débora Falabella em cena: construção da afetividade

Algum momento em especial o emocionou durante as filmagens?
Durante a filmagem a concentração é fundamental, e precisamos ficar atentos o tempo todo a vários detalhes. Acho que a maior emoção era perceber a cada dia aquela história lentamente se transformando num filme, com personagens em carne e osso, emoções e relações.

O personagem de Rodrigo acabou se distanciando de suas origens pelo curso da própria vida, mas percebe que não adianta evitá-las. Com sensibilidade, você trata da importância da família, mas também do individualismo.
Para mim era importante imprimir nessa história uma questão fundamental hoje: o distanciamento dos afetos familiares. No meu caso, sempre tive a família muita próxima, mas achei interessante mergulhar na história de uma família cujos valores tinham sido completamente perdidos, mas que, por alguma razão alheia à vontade dos protagonistas, seriam trazidos à pauta com muita intensidade. E não vamos contar mais nada, senão estraga a surpresa do filme…

Elenco e diretor reunidos

Os protagonistas precisam fazer escolhas e, com elas, estabelecer quais as suas prioridades na vida. Por que é cada vez mais difícil conciliar vida afetiva (e familiar) com trabalho (e ambições materiais)?
Acredito que a vida moderna traz uma autocobrança desumana para as pessoas. Temos que consumir certas coisas, fazer outras, enfim… Existe um padrão no qual uma grande maioria quer se encaixar, ficando quase escrava dele. Meu novo filme, Dissonância Urbana, trata desse assunto, indo bastante fundo na discussão: vale a pena levar a vida dessa forma, com prejuízo para tantas questões mais importantes?

Meu País tem uma narrativa muito elegante e austera, com atenção aos detalhes e ao não dito, o que levou muito críticos a afirmarem que ele parece mais um filme europeu do que brasileiro. O que pensa sobre esse tipo de comparação?
Essa foi uma opção desde o começo. Como estávamos contando um drama, era muito importante que ele fosse enfrentado de forma sutil. Assim, o processo todo, desde o roteiro, passando pela preparação e filmagem até a montagem, foi o de tirar coisas o tempo todo. Menos era mais, nesse caso. E quis fazer um filme dentro de uma casa, e que ela fosse mais um personagem. O que acontece lá fora, na verdade, não tem muita importância, pois a história que está sendo contada é a da família Bonelli.

Por ter vivido e trabalhado tanto tempo na Itália, o cinema de lá é uma forte influência em sua formação? Quais os seus cineastas favoritos?
Sem dúvida olho para o cinema italiano sempre com uma familiaridade e um carinho maiores. Em primeiro lugar, Bertolucci. Ele é uma grande referência, mas vários outros mestres também, como Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni e Roberto Rossellini. Hoje, gosto muito do Nanni Moretti (O Quarto do Filho) e do Paolo Sorrentino (diretor de Il Divo, ainda inédito em DVD). Acredito que a influência na formação do meu olhar esteja incrustada no meu código genético, e, na hora de fazer um filme, naturalmente se manifesta de diversas maneiras.

Poderia adiantar algo sobre a série Eldorado? Mais algum projeto em vista?
Neste ano, estou desenvolvendo a série Eldorado junto com o roteirista Marco Dutra, parceiro em Meu País. Estamos desenvolvendo o arco narrativo geral, e em seguida faremos o roteiro do piloto, para ser rodado ainda em 2012. Espero viabilizar também meu novo longa, Dissonância Urbana. E, para o futuro próximo, tenho também mais um projeto, baseado no conto O Outro Lado do Paraíso, de Luiz Fernando Emediato.

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A 2001 TAMBÉM ESTÁ NA VIRADA CULTURAL

NÃO PERCA NESTE SÁBADO PARA DOMINGO, A PARTIR DE 0H ATÉ AS 12HS, NA 2001 PAULISTA…

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DICAS PARA O FIM DE SEMANA

Confira a seguir as sugestões da equipe 2001 Vídeo:

If…*
(If…., ING, 1968, Cor/P&B, 111’)
Direção: Lindsay Anderson
Elenco: Malcolm McDowell, David Wood, Richard Warwick, Christine Noonan

Filmado apenas alguns meses antes dos conflitos estudantis que explodiram em maio de 1968, em Paris, If…. tornou-se um filme emblemático do período e um símbolo de contestação que ainda não perdeu seu impacto, com um dos finais mais bombásticos e polêmicos da história do cinema. Primeiro trabalho do cineasta Lindsay Anderson lançado em DVD no Brasil, o filme revelou ainda Malcolm McDowell, que depois interpretaria outro rebelde em Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Inspirado pelo clássico Zero de Comportamento, de Jean Vigo, o filme de Anderson acompanha a revolta de estudantes em um rigoroso colégio público britânico. E é um ataque frontal ao conservadorismo de instituições que oprimem os valores (e diferenças) individuais.

* Palma de Ouro no Festival de Cannes.

A Duquesa*
(The Duchess, ING/FRA/ITA, 2008, Cor, 110’)
Direção: Saul Dibb
Elenco: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper

Keira Knightley estrela mais uma produção de época, baseada na biografia Georgiana, de Amanda Foreman, a história da Duquesa de Devonshire (1757-1806) que, segundo alguns especialistas, teria parentesco (bem distante) com a princesa Diana, o que suscitou por parte da imprensa britânica associações da trama do filme com a vida de Lady Di. Georgiana foi criada para agradar a todos, principalmente seu marido, interpretado por Ralph Fiennes, indicado, entre outros prêmios, ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante. O inglês compõe um vilão sutil e entediado, interessado apenas em seus cães e em ter um herdeiro homem. Sua impaciência e comportamento anti-social afastam Georgiana, que precisa tomar uma difícil decisão: continuar seu papel de procriação em troca de segurança material e status, ou ser dona do próprio destino, sem as filhas. Como é de se esperar, o filme apresenta produção impecável, com destaque para os figurinos e direção de arte, indicados ao Oscar.

* Oscar e Bafta de melhor figurino.

Os Amantes do Círculo Polar*
(Los Amantes del Círculo Polar, ESP, 1998, Cor, 104’)
Direção: Julio Medem
Elenco: Najwa Nimri, Fele Martínez, Nancho Novo

Muito antes do termo sincronicidade estar na moda, o espanhol Julio Medem (Lucía e o Sexo) dirigiu esta grande história de amor repleta de coincidências temporais que influenciam definitivamente a trajetória do jovem casal Anna e Otto. Os dois se conhecem na infância, passam a viver como irmãos e eventuais amantes na adolescência, e seguem caminhos opostos na vida adulta. Alternando o ponto de vista de cada um dos apaixonados, Medem explora as possibilidades do tempo através de belas imagens e soluções visuais que se tornaram sua marca. Eventos do início são relacionados ao fim — a vida como um círculo que dá voltas até retornar a seu ponto de origem, completando questões inacabadas ou sonhos do passado. Após inúmeros encontros e desencontros, as reviravoltas da trama se justificam pelo amor quase místico entre dois seres destinados a viver juntos. Conduzidos pela sorte, destino ou acaso? Talvez a resposta seja, simplesmente, pelo amor.

* Kikito de melhor filme latino, direção, trilha sonora e roteiro no Festival de Gramado.

Caos Calmo
(Idem, ITA/ING, 2008, Cor, 105’)
Direção: Antonello Grimaldi
Elenco: Nanni Moretti, Valeria Golino, Alessandro Gassman, Isabella Ferrari

Além de atuar no filme dirigido por Antonio Grimaldi, Nanni Moretti escreveu o roteiro, que trata de temas recorrentes em sua filmografia, como a crise da meia-idade e a desilusão profissional. Somente após a morte de sua esposa que Pietro, personagem de Moretti, vem a conhecer detalhes familiares que ignorava, e a dar atenção integral à filha pequena. Imerso na própria introspecção e vazio do cotidiano burguês, ele passa a olhar a vida de forma mais livre, abandonando os compromissos e aspirações profissionais. Moretti afirma-se como um ator sensível e de recursos dramáticos, capaz de sublimar as emoções durante seu “caos calmo” interno. O filme traz ainda uma ponta de Roman Polanski como ator no final.

Fatal
(Elegy, EUA, 2008, Cor, 113’)
Direção: Isabel Coixet
Elenco: Penélope Cruz, Ben Kingsley, Dennis Hopper, Patricia Clarkson

A diretora Isabel Coixet (Minha Vida Sem Mim, A Vida Secreta das Palavras) empresta sua sensibilidade à adaptação do romance O Animal Agonizante, escrito pelo celebrado autor americano Philip Roth. O livro, escrito em forma de monólogo interior de um homem movido por uma obsessão sexual, é também uma reflexão sobre a velhice e o desejo, obsessões de um autor acostumado a examinar as mazelas da sociedade americana de forma crítica e irônica. Para o complexo personagem de David Kepesh, um intelectual com dificuldades para criar laços afetivos com alguém, ao mesmo tempo em que luta contra a própria mortalidade e desejo, o filme conta com o talento de Ben Kingsley (Gandhi, Sexy Beast). Já Penélope Cruz interpreta Consuelo, sua paixão (e eventual obsessão). O roteiro foi escrito por Nicholas Meyer, que adaptou outro romance de Philip Roth para o cinema: A Marca Humana, que deu origem ao filme Revelações (2003), com Anthony Hopkins.

Bettie Page
(The Notorious Bettie Page, EUA, P&B/Cor, 91’, 2005)
Direção: Mary Harron
Elenco: Gretchen Mol, Jared Harris, David Strathairn, Lili Taylor

Produção original HBO, com direção de Mary Harron (Psicopata Americano), cineasta atraída por personagens excêntricos e fora dos padrões sociais, sempre a serviço de sua investigação da cultura popular americana. Após ser notada pela crítica com Um Tiro para Andy Warhol (1996), Harron teve uma carreira errática no cinema, passando a dirigir episódios de séries como Oz, L Word e A Sete Palmos. Após alguns anos na produção, e muitas dificuldades, Bettie Page é seu retorno à direção de longa-metragem, em que examina não só a maior das modelos pin-ups dos anos 1950, mas também a hipocrisia da América conservadora da época. Ícone sexual, Bettie é retratada no filme como uma jovem sonhadora, otimista e sem consciência do papel libertador que suas fotos sensuais e filmes amadores, hoje ingênuos, exerciam. Filmado em preto-e-branco, com cenas em cores que refletem os poucos momentos em que Bettie teve realmente prazer e satisfação pessoal, o filme é reverente com sua biografada, sem explorar o submundo do comércio pornográfico do período. Acostumada a papéis de coadjuvante, Gretchen Mol (Cartas na Mesa) tem a chance de mostrar seu talento em uma interpretação corajosa, em que se expõe (completamente).
Extras: Um Olhar no Universo da Rainha do Pin-up * Striptease * Trechos de filmes originais da época: Stritorama, Varietease, Teaserama

Nome Próprio*
(Idem, BRA, 2008, Cor, 120′)
Direção: Murilo Salles
Elenco: Leandra Leal, Juliano Casaré, Rosane Mulholland

Fotógrafo de clássicos como Lição de Amor (1975) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), e também diretor (Nunca Fomos Tão Felizes, Como Nascem os Anjos), Murilo Salles tem enfocado diversos personagens encurralados nos próprios conflitos internos ou em situações-limite. Em seu último trabalho, Nome Próprio, Salles continua a olhar para personagens urbanos contemporâneos, e se reinventa como contador de histórias. Ao narrar a história de Camila, jovem aspirante a escritora, mergulhada em excessos e no seu blog na internet, o cineasta cria um filme de espírito jovem e linguagem moderna, e ainda exercita seus dois principais campos de atuação no cinema, ao operar a câmera e também dirigir. Apaixonada por autores malditos como John Fante (Pergunte ao Pó) e Charles Bukowski (Factotum), a personagem entrega-se a uma verdadeira descida ao inferno – o próprio, existencial – após desilusão amorosa. O blog é a principal forma de expressar sua liberdade, sensibilidade e sexualidade à flor da pele; sua nudez (física e emocional), em boa parte do filme, é a representação do desejo e liberdade de personagem que se faz múltipla, tanto nas ações quanto nas palavras — escritas e reproduzidas na tela. Realizado em suporte digital, o filme consegue, por meio da construção da linguagem, fugir do estilo meramente documental cada vez mais presente no cinema nacional. E tem em Leandra Leal – em interpretação corajosa, sem rede de segurança – uma intérprete à altura do furacão Camila.
Extras: Videoclipe Nome Próprio, com Porcas Borboletas * As Caras de Camila * Os Caras de Camila * Cigarro, Computador, Sala Vazia * O que você não vai ver em Nome Próprio * Videoclipe Direção de Arte

* Melhor filme, atriz (Leandra Leal) e direção de arte no Festival de Gramado.

As Duas Faces da Felicidade*
(Le Bonheur, FRA, 1965, Cor, 79′)
Direção: Agnès Varda
Elenco: Jean-Claude Drouot, Claire Drouot, Marie-France Boyer

Precursora da Nouvelle Vague com La Pointe Courte (1954), Agnès Varda ganhou notoriedade mundial por Cléo das 5 às 7 (1961), marco do movimento francês. Seu trabalho seguinte, As Duas Faces da Felicidade, é uma evocação sem culpa sobre o casamento e o desejo, refletindo sobre o significado da felicidade e a relação conjugal. Visualmente influenciado pela pintura impressionista, é um dos mais belos filmes de uma das grandes diretoras da história do cinema, que merece ser (re)descoberta. Nele, um pai de família casado se envolve com outra mulher, mas não quer abandonar a esposa. Quer as duas, no velho dilema de um homem tentando amar duas mulheres.

* Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim.

DE LOUIS MALLE:

(1932-1995)

Zazie no Metrô
(Zazie Dans Le Métro, FRA, 1960, Cor, 89’)
Direção: Louis Malle
Elenco: Catherine Demongeot, Philippe Noiret, Carla Marlier

Um dos primeiros (e raros em DVD no Brasil) filmes de Louis Malle (Lacombe Lucien), Zazie no Metrô é uma adorável e excêntrica comédia francesa que transborda criatividade, com montagem e concepção visual elaboradas, e o espírito libertário da Nouvelle Vague.
No filme, Zazie, garota do interior da França, tem a chance de conhecer Paris pela primeira vez, passando dois dias na capital francesa. Hospedada na casa de seu tio Gabriel (o grande Philippe Noiret, de Quinteto Irreverente), ela cultiva um sonho: andar de metrô.

O Sopro do Coração*
(Le souffle au coeur, FRA, 1971, Cor, 118’)
Direção: Louis Malle
Elenco: Lea Massari, Benoît Ferreux, Daniel Gélin, Michael Lonsdale

À semelhança de outros filmes de Louis Malle (Os Amantes, Pretty Baby – Menina Bonita), O Sopro no Coração provocou polêmica em seu lançamento devido a uma terna (e sutil) cena de incesto. Na verdade, poucos cineastas filmaram com tanta sensibilidade o calor e olhar adolescentes quanto o francês, que mostra o rito de passagem do jovem Laurent, cada vez mais interessado pelo jazz, pelo sexo e pelo universo adulto.

* Indicado ao Oscar de melhor roteiro original (Louis Malle).

Sugestões da equipe 2001 Vídeo

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