Potiche – Esposa Troféu
(Potiche, FRA, 2010, Cor, 102′)
Direção: François Ozon
Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Jérémie Renier

François Ozon (O Amor em 5 Tempos, O Refúgio) transpõe mais uma peça teatral para o cinema após seu 8 Mulheres: Potiche, farsa sobre as mudanças comportamentais dos últimos 30 anos, encenada pela primeira vez em Paris no anos 1980. Ambientado em 1977, Potiche – Esposa Troféu atualiza a peça, transformando sua protagonista em um símbolo feminista relevante ainda hoje. Visualmente estilizado, com atuações teatrais e ritmo moderno, o filme critica de forma bem humorada o machismo não só no âmbito profissional, mas também no pessoal, e oferece a Catherine Deneuve seu melhor papel em anos. Mais uma vez atuando ao lado de Gérard Depardieu, a eterna “Bela da Tarde” dança e ainda relembra os tempos de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e Duas Garotas Românticas (1967), cantando no final.

Virando a mesa: Catherine Deneuve, em um dos melhores papéis de sua carreira recente, interpreta Suzanne, que deixa a vida doméstica de lado e começa a enfrentar o marido machista
Caramelo
(Sukkar Banat, FRA/LIB, 2007, Cor, 95′)
Direção: Nadine Labaki
Elenco: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Adel Karam

Sem grandes conflitos ou reviravoltas dramáticas, a pequena produção libanesa – dirigida, escrita e protagonizada por Nadine Labaki – conquistou o público em diversos países. Através do cotidiano de cinco amigas em Beirute, o filme é um singelo retrato da condição feminina no Oriente Médio, onde impera o patriarcado social e a violência, apenas sugeridos pelo roteiro. Em frações da “vida real” de suas personagens, Labaki aborda situações e dilemas comuns às mulheres em geral, envolvendo amor, sexo, casamento, família, amizade e, principalmente, escolhas. Confrontadas pela dura realidade e tradições sociais de uma nação puritana e aspirante à modernidade, as heroínas de Caramelo buscam sua própria identidade perante o eterno questionamento “tornamo-nos o que somos, ou o que parecemos?”. Evitando ousadias ou reflexões políticas, a doce mistura de limão, açúcar e água do título mostra que, apesar de todas as dificuldades e regras sociais, nenhuma das mulheres de Caramelo esmorece, todas seguem em frente com suas vidas.
Sob a Mesma Lua
(La Misma Luna, MEX/EUA, 2007, Cor, 110′)
Direção: Patricia Riggen
Elenco: Adrian Alonso, Kate del Castillo, America Ferrera

Coprodução entre Estados Unidos e México, o filme trata de assunto caro aos dois países:a imigração ilegal. Anos após sua mãe deixá-lo para trabalhar nos EUA, o jovem Carlitos inicia longa jornada até Los Angeles, repetindo a mesma entrada ilegal da mãe no páis. A trama, aparentemente simples, é repleta de emoção (sem cair na pieguice) e momentos singelos.
A Viagem do Balão Vermelho
(Le Voyage du Ballon Rouge, FRA, 2007, Cor, 113′)
Direção: Hou Hsiao-Hsien
Elenco: Juliette Binoche, Simon Iteanu

Inspirado pelo universo lúdico do antológico média-metragem francês O Balão Vermelho (1956), de Albert Lamorisse, o delicado filme de Hou Hsiao-Hsien amplia o papel da mãe – interpretada com o carisma habitual por Juliette Binoche. Com improvisação livre do elenco e narrativa naturalista, essa homenagem ao balão vermelho original é também uma reflexão minimalista sobre a poesia possível a partir do cotidiano.

Cena do lúdico A Viagem do Balão Vermelho: bela homenagem a um média-metragem francês de 1956
Stella
(Idem, FRA, 2008, Cor, 102’)
Direção: Sylvie Verheyde
Elenco: Léora Barbara, Mélissa Rodriguez, Laetitia Guerard

Simpática crônica da transição da jovem Stella para a adolescência, com os dilemas comuns da idade: as dificuldades de adequação na nova escola, o primeiro amor, os ídolos (como Serge Gainsbourg e Alain Delon, cujas fotos estampam o quarto da menina) e a busca por aceitação. Péssima aluna e indiferente às normas, ela não consegue se desvencilhar do estilo de vida dos pais, que mantêm um bar-hotel frequentado por desocupados e desajustados. O local, considerado inadequado para criar uma criança, torna-se a chave para Stella formar seu senso crítico e olhar sem preconceitos.
A Culpa É do Fidel!
(La Faute à Fidel!, FRA, 2007, Cor, 95′)
Direção: Julie Gavras
Elenco: Nina Kervel-Bey, Julie Depardieu, Stefano Accorsi

Filha do consagrado Constantin Costa-Gavras, Julie continua próxima aos temas e preocupações políticas do pai em seu segundo filme como cineasta, porém, num registro mais leve e simpático. Baseado no romance homônimo de Domitilla Calamai, o filme mostra as transformações ideológicas dos pais da pequena Anna (a revelação Nina Kervel-Bey), que tem dificuldade para entender as motivações que levaram o casal burguês a ingressar na militância comunista. A partir de perguntas aparentemente simples, a adorável (e invocada) menina nos faz pensar sobre as contradições por trás das ideologias políticas e nos deixa a pergunta (ou conclusão): “Então, ninguém tem certeza das coisas?”.
Uma Mãe em Apuros
(Motherhood, EUA, 2009, Cor, 85′)
Direção: Katherine Dieckmann
Elenco: Uma Thurman, Anthony Edwards, Minnie Driver

Bem, pode não parecer um grande filme, mas nesse fim de semana de Dia das Mães essa comédia familiar estrelada por Uma Thurman resume bem os dilemas comuns à toda mãe que precisa se dividir em mil tarefas no dia-a-dia: os sacrifícios, a busca por autoexpressão e por um trabalho que traga sentido para a própria vida. Com divertida ponta de Jodie Foster, o filme satiriza ainda a vida urbana em Nova York, com seus moradores cada vez mais neuróticos e mal educados, e questiona o que significa ser mãe nos dias de hoje.
Ramona e Beezus
(Ramona and Beezus, EUA, 2010, Cor, 103′)
Direção: Elizabeth Allen
Elenco: Joey King, Selena Gomez, Bridget Moynaham, John Corbett

Baseado na popular (nos EUA) série de livros infanto-juvenis de Beverly Cleary, o filme resgata a sensibilidade e humor inofensivo das antigas “sessão da tarde” estreladas por personagens-mirins, como Matilda (1996) e Operação Cupido (1998), que revelou Lindsay Lohan. Centrado em uma hiperativa e espirituosa menina de nove anos, desde pequena já inconformista, Ramona e Beezus trata com leveza do ciúme entre irmãs, dos problemas em família e, sobretudo, de como superá-los por meio de amor e compreensão.
Belíssima
(Bellissima, ITA, 1951, P&B, 108′)
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Anna Magnani, Walter Chiari, Tina Apicella

Mamma Roma
(Idem, ITA, 1962, P&B, 106′)
Direção: Pier Paolo Pasolini
Elenco: Anna Magnani, Ettore Garofalo, Franco Citti

Nunca houve uma atriz como Anna Magnani. Diva do neorealismo, a maior figura materna do cinema italiano interpreta em Belíssima (de Luchino Visconti) Maddalena Cecconi, uma mãe extremamente preocupada com o futuro da pequena Maria. Seu objetivo é transformar Maria em uma celebridade, custe o que custar. Já em Mamma Roma, segundo filme de Pier Paolo Pasolini (Teorema), Magnani contracena com atores amadores, encarnando a personagem-título, uma prostituta de meia-idade que sonha um futuro digno para o seu filho de 16 anos. Mas que parece ser tarde demais, devido às más companhias do menino.
Belíssima e Mamma Roma. Dois clássicos do cinema italiano e duas tocantes interpretações de Magnani, uma das maiores atrizes da Europa. Nos dois filmes, ela consegue fazer o público compreender o laço tênue, frágil e inquebrável existente entre uma mãe e a sua criação.
Sugestões de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP
Salve Geral
(Idem, BRA, 2009, Cor, 120′)
Direção: Sergio Rezende
Elenco: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor

Inspirado em fatos reais ocorridos no final de semana do dia das mães, em maio de 2006, em São Paulo, o filme acompanha a trajetória de Lucia (Andréa Beltrão, em ótimo desempenho) e seu filho de 18 anos, que acaba preso após um assassinato acidental. Em suas visitas à penitenciária, ela acaba envolvendo-se com uma facção criminosa; envolvimento voluntário, já que Lucia acha que de alguma forma está protegendo o filho. E que talvez o grupo possa ajudá-la a soltar o rapaz.
Sugestão de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP
Sonata de Outono
(Höstsonaten, SUE/NOR/ALE, 1978, Cor, 92′)
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Lena Nyman

Nas mãos de um bom diretor, o mais simples e intimista dos roteiros provavelmente se tornará um bom filme. Nas mãos do mestre Ingmar Bergman, a história de uma mãe que vai passar o final de semana na casa da filha se torna uma obra de valor inestimável. Ganhador do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e indicado ao Oscar de atriz (Ingrid Bergman) e roteiro, Sonata de Outono é um profundo (e por vezes cruel) mergulho – ao som de Chopin, Bach, Schumann e Haendel – nas inseguranças, mágoas e rivalidades de um difícil relacionamento familiar.
Sugestão de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP
London River – Destinos Cruzados
(London River, ING/FRA/ARG, 2009, Cor, 84′)
Direção: Rachid Bouchareb
Elenco: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté, Francis Magee

Com uma comovente história, baseada nos atentados que ocorreram em Londres em 2005, o filme narra o drama de uma mãe (vivida por Brenda Blethyn, de Segredos e Mentiras) que vive no interior da Inglaterra, cujo destino se cruza com o de Ousmane (Sotigui Kouyate), um sul-africano que vive em Paris. O que eles têm em comum? Filhos que vivem em Londres. Logo após os atentados, a personagem de Blethyn busca por sua filha, e encontra Ousmane, que não vê seu filho desde os seis anos de idade. Juntos, os dois unem forças em busca do paradeiro de seus rebentos.
Com sensibilidade, London River também critica o aumento do racismo e da xenofobia na Inglaterra após os atos terroristas no país em 2005.
Sugestão de
Bruno Lanzellotti
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP
Simplesmente Complicado
(It’s Complicated, EUA, 2009, Cor, 121′)
Direção: Nancy Meyers
Elenco: Meryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin

Dez anos após o fim de seu casamento, Jane (Meryl Streep) começa a achar um novo rumo na vida. Após criar e ver seus filhos saírem de casa, ela resolve que chegou a hora de ter um tempo só para ela. Tudo estava indo muito bem em sua vida… a felicidade no trabalho, a tão sonhada reforma em sua casa para ter a cozinha de seus sonhos e é claro, o aparecimento do simpático e romântico Adam (Steve Martin). Mas a vida sempre nos prega peças, não é mesmo? Eis que seu ex-marido Jake (Alec Baldwin) resolve reconquistá-la, e a partir daí sua vida vira uma completa loucura! Com uma trama simples e bem divertida, o filme se destaca pelo elenco carismático em ótima forma!
Sugestão de
Bruno Lanzellotti
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP